A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) atingiu um novo patamar após a divulgação de suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, a partir de registros de conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro reunidos em relatório da PF (Polícia Federal).
O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, convocou uma sessão extraordinária para discutir a controvérsia, com início previsto para as 10h desta terça-feira (15).
Os ministros deverão decidir, entre outros pontos, se foi regular a ordem que levou ao aprofundamento da análise dos dados do celular de Vorcaro, se as informações obtidas podem ser aproveitadas e qual deve ser o destino dos elementos que envolvem Moraes.
Desconfiança no STF cresce 10 pontos em um mês
O cenário se agrava em meio a uma queda expressiva na credibilidade da Corte perante a população.
Segundo nova pesquisa divulgada pela Quest, a desconfiança dos brasileiros em relação ao STF cresceu 10 pontos percentuais em apenas um mês: em agosto, 46% dos entrevistados disseram não confiar na Corte, número que agora subiu para 56%. O percentual daqueles que afirmaram confiar muito despencou de 18% para 9%.
Sociedade civil se mobiliza e carta reúne 200 assinaturas
As incertezas em torno do Judiciário levaram setores da sociedade civil a tomar posição publicamente. Um grupo formado por ex-ministros de Estado, economistas, empresários e juristas divulgou uma carta com 200 assinaturas em apoio a Fachin.
O documento afirma que “o Supremo Tribunal Federal não pode deixar que sua jurisdição seja capturada por interesses escusos de natureza pessoal, política ou econômica que atentem contra a nossa democracia constitucional”. Um manifesto com apoio de milhares de entidades ligadas à indústria e ao comércio também circula na internet pedindo assinaturas.
Seccionais da OAB de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná têm pressionado por medidas da advocacia contra Moraes, em razão de um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da família do ministro. Uma comissão da OAB já foi criada para analisar o possível pedido de impeachment.
O cientista político e CEO da Arko Advice, Murillo de Aragão destacou o caráter inédito da mobilização. “Pela primeira vez na história da República, o Supremo Tribunal Federal virou tema central de uma eleição”, afirmou.
Segundo ele, a questão assumiu uma predominância relevante nas escolhas eleitorais, superando temas como segurança pública e geopolítica. Aragão também ponderou que “as urnas distribuem o poder, mas não consertam instituições”, indicando que o engajamento da sociedade será decisivo para o desfecho da crise.
Repercussão econômica e internacional
A instabilidade no STF também gerou preocupações no campo econômico. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, em entrevista ao Neofeed, que a crise atrapalha a economia e a credibilidade do investidor estrangeiro.
A situação ganhou espaço na mídia internacional: o jornal britânico Financial Times publicou reportagem sobre como o escândalo envolvendo um banco atingiu a Suprema Corte, enquanto o Wall Street Journal chamou atenção para os impactos eleitorais com a manchete “Lula tem um problema chamado Banco Master”.
Pressão sobre votos decisivos na sessão
O analista político da CNN Caio Junqueira, que acompanhou os bastidores do STF, indicou que parte da Corte está atenta à mobilização da opinião pública. Segundo ele, os ministros Carmen Lúcia e Edson Fachin são considerados os votos decisivos na sessão e seriam “muito vulneráveis a este tipo de opinião pública, aos editoriais de jornais, às manifestações da sociedade civil”.
Junqueira relatou ainda que há expectativa de que esses dois ministros acabem votando pelo afastamento de Alexandre de Moraes do caso.
Operação da PF e tensão com o Congresso
O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, destacou a operação da Polícia Federal, autorizada por Flávio Dino, deflagrada contra o deputado federal Cezinha de Madureira, parlamentar apontado como próximo de André Mendonça.
Rittner ressaltou que existem entre 70 e 90 petições, algumas já transformadas em inquéritos, nas quais parlamentares estão sendo investigados por questões ligadas a emendas parlamentares.
“Ali são gavetas que um ministro do Supremo pode abrir a qualquer momento”, disse. Junqueira complementou que a operação contra Cezinha de Madureira se insere num contexto mais amplo de pressões, e que empresários em São Paulo teriam recebido telefonemas em “tons ameaçadores”, além de ligações pedindo a retirada de nomes do manifesto de apoio a Fachin.
Para o analista, essa estratégia acaba produzindo efeito contrário, pois “fica muito exposta qual é a estratégia de fugir do mérito” das acusações contra Alexandre de Moraes.
Fonte CNN Brasil
Foto: CNN









