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Candidatos reagem a pesquisa e traçam planos para conquistar o eleitor

A um mês do primeiro turno das eleições de 2026, a governadora e...

A um mês do primeiro turno das eleições de 2026, a governadora e candidata à reeleição Celina Leão (PP) segue na liderança da disputa ao Governo do Distrito Federal (GDF), tanto na pesquisa estimulada quanto na espontânea (veja quadro). O ex-governador José Roberto Arruda (PSD) mantém o segundo lugar em ambos os cenários, porém com uma diferença maior. O levantamento mostra, ainda, que se o segundo turno fosse hoje, Celina seria reeleita com 45,3%. 

É o que mostra a terceira rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política, realizada entre 29 e 31 de agosto e divulgada nesta quinta-feira. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número DF-04936/2026. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A coleta foi feita de forma presencial, ouvindo 1.121 pessoas em 31 das 33 regiões administrativas do DF.

Valdir Pucci, mestre em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB), explicou que o levantamento consolida a tendência de afunilamento entre os dois primeiros colocados, mesmo com o contingente significativo de eleitores que ainda não definiram a opção nas urnas. “O somatório de brancos, nulos e indecisos chega a cerca de 23%. É um volume que pode mexer com o cenário, ainda que não seja suficiente para termos a eleição decidida em primeiro turno. A tendência mais provável é a confirmação do segundo turno entre Celina Leão e Arruda”, analisou. Esse cenário, no entanto, ainda depende de decisões judiciais sobre a legalidade da candidatura de José Roberto Arruda (leia nas páginas 13 e 14). 

Apesar disso, Pucci reforçou que a estabilidade se deve ao alto grau de conhecimento das lideranças locais pelo eleitorado do DF. “São nomes muito conhecidos, o que explica os baixos índices de rejeição em relação a outros estados. Sem fatos novos de grande impacto, a tendência é de pouca oscilação drástica até o dia da votação”, pontuou.

Repercussão

Celina Leão (PP) associou as críticas recentes de opositores ao início da etapa de confrontos diretos na TV e na internet. “Os debates começaram e, com eles, os ataques a mim e ao meu governo. Mas a população do DF sabe reconhecer a verdade”, destacou. Para a candidata, a apresentação de resultados da gestão contribui para o primeiro lugar na pesquisa. “Agradeço, com humildade, a confiança e o reconhecimento da população. Seguimos firmes, rumo à vitória”, declarou. 

José Roberto Arruda (PSD) atrelou o resultado da nova pesquisa eleitoral à incerteza jurídica que envolve sua candidatura ao GDF. “Eu sou engenheiro, não brigo com números. Acho que as pesquisas espelham mesmo a realidade e, tendo em vista essa instabilidade jurídica, de quererem me tirar no tapetão, é claro que isso diminui a minha intenção de voto”, afirmou Arruda. 

Apesar da oscilação e das incertezas jurídicas, ele disse que mantém a convicção na legalidade do seu registro: “Tenho absoluta consciência de que registrei minha candidatura de acordo com a lei e, se o pedido de impugnação for negado, não tenho dúvidas de que estarei competitivo com os atuais donos do poder”.

Para o cientista político André Rosa, a desidratação do ex-governador reflete diretamente o impacto do impasse nos tribunais sobre o eleitor indeciso. “Muitos eleitores inclinados a votar em Arruda hesitam diante da possibilidade de indeferimento do registro. Caso sua postulação não se confirme, os votos tendem a se dividir: o eleitor mais ideológico, de centro-direita, migra para Celina, enquanto outra fatia de indecisos impulsiona Leandro Grass, podendo até viabilizar uma vitória da governadora ainda em primeiro turno”, observou o especialista em relações governamentais. 

Leandro Grass (PT) destacou a trajetória de crescimento na disputa ao Buriti, que passou de 9,8% na consulta anterior para 12,5% das intenções de voto na pesquisa divulgada ontem. O candidato atribuiu o resultado à mobilização de base, projetando maior presença no contato direto com o eleitorado. “Nossa campanha é voltada à população, ouvindo o povo na rua e apresentando propostas. Estou disputando contra a governadora, que tem a máquina pública na mão, e um ex-governador. Mas a militância e os apoiadores da nossa candidatura estão muito empenhados, demonstrando a histórica força de chegada do PT e de todo nosso campo político”, declarou. 

O petista reforçou que manterá a estratégia até o dia da votação: “Seguirei conversando pessoalmente com o eleitor e usando os canais de comunicação para chegar a todas as pessoas possíveis”. 

Estratégias 

A candidata do PSDB, Paula Belmonte, afirmou que recebeu o resultado da pesquisa com respeito e tranquilidade e que considera o levantamento um retrato do momento. Mas ressaltou que a disputa eleitoral é definida nas urnas. “Estou entrando agora numa fase de maior intensidade da campanha, percorrendo o DF, conversando com as pessoas e fazendo minhas propostas chegarem a cada vez mais brasilienses”, destacou. 

Segundo ela, a estratégia é alcançar os eleitores indecisos e explorar o potencial de crescimento de sua candidatura. “Quero mostrar que existe uma alternativa para quem não quer continuar com o governo que está aí, mas também não quer voltar ao passado. Acredito muito no crescimento da minha candidatura e vou trabalhar até o último dia para conquistar a confiança dos brasilienses”, assinalou.

Kiko Caputo (Novo) avaliou com otimismo o crescimento nas intenções de voto e atribuiu o resultado à maior exposição da candidatura. “Saímos de 0,8% para 2,3%, praticamente triplicando nossas intenções de voto em menos de um mês. Esse crescimento mostra que, à medida que as pessoas conhecem nossa candidatura e nossas propostas, passam a acreditar no nosso projeto”, afirmou. 

O candidato acredita que a candidatura seguirá avançando e se apresentou como “o único candidato da direita ao Governo do Distrito Federal”. “Nosso trabalho, agora, é continuar nas ruas, conversando com a população e mostrando que existe um caminho diferente para o DF”, declarou.

Ricardo Cappelli (PSB) criticou o resultado da pesquisa. “A pesquisa varia de maneira abrupta. Eu não acredito nessa pesquisa. Sinceramente, para mim, não tem credibilidade. A pesquisa que eu acredito é a pesquisa da rua”, declarou o candidato. Apesar do resultado, Cappelli afirmou que pretende manter a estratégia de campanha. “O que eu estou sentindo nas ruas não bate com o que essa pesquisa demonstra”, afirmou.

Para o cientista político Valdir Pucci, o principal obstáculo enfrentado pelo candidato do PSB envolve o recall de imagem junto ao eleitorado local. “O grande desafio de Cappelli é superar o desconhecimento de seu nome perante a maior parte da sociedade do DF. Ele teve grande exposição no período da intervenção, mas isso não se traduziu automaticamente em capital eleitoral consolidado anos depois, somando-se ao tempo reduzido de TV de seu partido”, explicou o especialista.

André Rosa acrescentou que o desgaste do candidato do PSB também se dá pelo enredo das alianças locais. “Cappelli acabou acumulando o peso do desgaste político associado ao ex-governador Rodrigo Rollemberg. O ajuste fiscal promovido à época, embora necessário, não se converte em apelo popular de votos, o que represou o desempenho do candidato nas pesquisas”, ponderou.

Samara Mineiro, da Unidade Popular (UP), ressaltou que parte dos eleitores ainda não decidiram seu voto e afirmou que seu partido é a única alternativa capaz de retomar a esperança da população. “Somos construídos por vários movimentos sociais que constroem a luta em defesa da moradia, contra a violência às mulheres, por mais direitos aos trabalhadores e à juventude, ou seja, somos construídos pelo povo que nunca tem espaço nas decisões dos governos”, destacou. 

Candidato do PSTU, Professor Robson disse receber o resultado da pesquisa, com 0,4% das intenções de voto, com alegria apesar das dificuldades enfrentadas durante a campanha eleitoral. “Nós estamos tendo uma boa aceitação nos lugares onde estamos indo, onde estamos conseguindo explicar as nossas propostas. Acho que essa pontuação é uma pequena demonstração disso, mas que ainda não mostra todo o potencial que temos. E nós vamos aumentar mais essa presença nas bases da classe trabalhadora e da juventude”, ressaltou. 

Pontuando pela primeira vez na pesquisa, Rico Pinheiro (PRTB) afirmou receber os 0,3% de intenção de voto com “honra e gratidão” e disse que a campanha está apenas começando. “Agora vamos para as ruas. Vamos olhar as pessoas nos olhos, ouvir e apresentar uma proposta de governo baseada em trabalho, responsabilidade e respeito ao dinheiro público. Eu não quero apenas ser governador. Quero deixar um legado. É com esse espírito que estamos começando. E vamos seguir em frente”, garantiu. 

Elisson (Agir) também pontuou pela primeira vez na pesquisa, com 0,1%, e afirmou que o resultado mostra que a candidatura vem sendo conhecida pela população. “Seguimos com humildade, pé no chão e muita disposição. A eleição está apenas começando e o DF vai conhecer cada vez mais a nossa proposta de mudança”, disse.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

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