Brasília ocupa a 22ª posição entre as 50 cidades brasileiras mais populosas avaliadas pelo Índice de Cidades Criativas 2026, elaborado pela Adobe Firefly. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (2/9) e a capital federal alcançou 48,7 pontos, ficando atrás de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Campo Grande.
O levantamento analisou 428 cidades de sete países a partir de 22 indicadores relacionados à cultura, à economia criativa, à infraestrutura e à percepção do público. Os dados foram obtidos de plataformas como Google Maps, TripAdvisor, Street Art Cities e Glassdoor, e cada cidade recebeu uma nota de 0 a 100, calculada a partir dos diferentes pesos atribuídos aos indicadores.
No ranking nacional, Florianópolis aparece na liderança, com 74,6 pontos, seguida por Juiz de Fora (63,9) e Niterói (63,6). São Paulo ocupa a 8ª posição, enquanto o Rio de Janeiro aparece em 14º lugar. Entre as 10 primeiras colocadas, seis não são capitais, segundo o estudo.
Brasília também fica atrás de outras capitais do Centro-Oeste. Goiânia aparece em 13º lugar, com 52,7 pontos, e Campo Grande ocupa a 17ª posição, com 50,4. Cuiabá, por outro lado, está na 39ª colocação. Considerando apenas as capitais brasileiras analisadas, a capital federal fica em 17º lugar entre 24 cidades.
Brasília no mapa da criatividade
Apesar da posição no ranking geral, Brasília apresenta bons resultados em alguns indicadores. A cidade é a terceira do país com maior densidade de obras de arte urbana por área e aparece na sétima posição em número de bibliotecas por 100 mil habitantes, com índice de 3,6.
A capital também concentra negócios ligados à economia criativa, sendo 114,7 agências criativas para cada 100 mil habitantes. No entando, o desempenho muda quando o levantamento considera a interação do público com esses espaços e negócios.
Brasília registra 1,2 avaliação por estabelecimento do comércio criativo para cada 100 mil habitantes, nas agências criativas, a capital federal tem 0,9 avaliação. O número de empregos criativos também é menor em Brasília, cerca de 9,7 postos por habitante no indicador utilizado pelo estudo, ante 15,4 em Goiânia.
Incentivo à criatividade
Ao Correio, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF) afirmou que a capital tem produção cultural diversificada, equipamentos e instituições culturais, mecanismos de fomento e uma cadeia de profissionais e empreendimentos ligados à economia criativa. Brasília integra ainda a Rede de Cidades Criativas da Unesco na categoria Design desde 2017.
Sobre o acesso da população à produção cultural, a Secretaria afirmou que o tema é uma preocupação permanente e citou ações de fomento realizadas em diferentes regiões administrativas, além de iniciativas de formação, circulação e difusão cultural. “Não basta fomentar a produção. É necessário também ampliar sua circulação, sua visibilidade e sua capacidade de chegar a públicos cada vez mais diversos”, afirmou a Secec-DF.
Entre as políticas citadas pela Secretaria estão o Fundo de Apoio à Cultura (FAC), o Programa de Incentivo Fiscal (LIC) e o Conexão Cultura DF. Segundo a pasta, os mecanismos movimentam setores como audiovisual, música, teatro, dança, literatura, artes visuais, design, moda, gastronomia e produção cultural, além de gerar oportunidades para artistas, técnicos, produtores e empreendedores.
Brasília está distante das capitais europeias
No ranking internacional, a diferença é ainda maior. Brasília aparece na 287ª posição entre as 428 cidades analisadas, com 48,7 pontos. Entre as capitais dos outros países incluídos no levantamento, Paris lidera com 85,6 pontos e ocupa a 24ª colocação global.
O estudo atribui parte dessa diferença à maior concentração e à longa trajetória das estruturas culturais europeias. Museus, teatros, bibliotecas e outros equipamentos dessas cidades acumulam décadas ou séculos de desenvolvimento.
Ainda assim, o Brasil apresenta um resultado positivo no levantamento: entre os sete países avaliados, é o primeiro colocado na nota dada pelo público ao comércio criativo. A média brasileira foi de 4,56 pontos em 5, considerando estabelecimentos como lojas de design, livrarias, lojas de discos e ateliês independentes.
Além do ranking
Para o professor de Publicidade da Estácio Lucas Jansen, o resultado do ranking deve ser analisado com cautela. Ele questiona os critérios usados para medir a criatividade e afirma que o baixo engajamento apontado pelo estudo não necessariamente reflete o consumo cultural da capital. “Não digo isso por clubismo, mas para evidenciar que, para além da política, Brasília respira, sim, um mercado criativo”, afirma.
Segundo ele, grandes eventos realizados na cidade, como shows e competições esportivas, mostram a capacidade de mobilização do público.“O cenário é bem mais dinâmico do que os números frios sugerem”, avalia. Na visão do professor, Brasília oferece oportunidades para profissionais que desejam atuar no setor, mas os indicadores utilizados precisam acompanhar as transformações nas relações de trabalho da economia criativa
Jansen também avalia que os dados sobre empregos podem não refletir toda a realidade do setor, devido à contratação de profissionais como pessoa jurídica e ao trabalho autônomo. Para ele, Brasília ainda pode explorar melhor seu patrimônio e transformar eventos em oportunidades para turismo, cultura e geração de renda.
*Estagiária sob supervisão de Aline Gouveia
Fonte Correio Braziliense
Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press









