A pausa para hidratação ganhou destaque mundial em 2026 após a Federação Internacional de Futebol (Fifa) tornar a medida obrigatória em 100% das partidas da Copa do Mundo, independentemente das condições climáticas. Embora o protocolo exista desde 2014, a decisão reacendeu um debate: afinal, essa pausa é realmente necessária? E, para além do futebol, para pessoas que praticam atividade física, seria boa a pausa?
No Distrito Federal, onde a baixa umidade do ar é uma característica marcante durante boa parte do ano, o Correio perguntou para dois especialistas sobre a prática: a nutricionista Ana Clara Cruz e o professor de educação física e personal trainer João Matheus confirmaram que a resposta é sim.
Com milhares de pessoas aproveitando espaços como o Eixão do Lazer, o Parque da Cidade e até mesmo outros parques distribuídos pelas cidades administrativas como Ceilândia e/ou Samambaia para correr, caminhar ou pedalar, manter a hidratação adequada é fundamental para evitar prejuízos à saúde.
Desempenho físico pode ser comprometido por falta de hidratação
A nutricionista explica que, durante a seca, o organismo perde ainda mais água, tanto pela transpiração quanto pela respiração. Como o suor evapora rapidamente em ambientes com baixa umidade, muitas vezes a pessoa nem percebe o volume de líquido que está perdendo.
“Quando essa água não é reposta adequadamente, o organismo passa a ter mais dificuldade para regular a temperatura corporal, o esforço parece maior e o rendimento tende a cair. Mesmo uma desidratação leve já pode comprometer o desempenho físico e aumentar o risco de mal-estar durante o exercício”, explica.
Período de beber água: somente quando tem sede?
A especialista alerta que esperar sentir sede para beber água é um dos erros mais comuns. Além da sede, sintomas como dor de cabeça, boca seca, cansaço excessivo, dificuldade de concentração, tontura e queda no rendimento podem indicar o início de um quadro de desidratação.
Outro indicativo simples é observar a cor da urina. Em geral, quanto mais clara, melhor está o nível de hidratação. Já uma urina muito escura pode sinalizar a necessidade de aumentar a ingestão de líquidos, desde que não haja interferência de medicamentos ou suplementos.
Não existe uma quantidade igual para todos
Apesar da recomendação frequente sobre o consumo diário de água, Ana destaca que não existe uma quantidade ideal que sirva para todas as pessoas. “A necessidade de água depende da intensidade e duração do exercício, da temperatura, da umidade do ar, do peso corporal e até da quantidade de suor produzida por cada indivíduo”, afirma.
A orientação é iniciar o treino já hidratado, ingerir líquidos ao longo da atividade, especialmente quando ela for prolongada, e repor as perdas ao final do exercício. Em atividades mais longas e intensas, principalmente durante a seca, a reposição de eletrólitos também pode ser necessária. Água de coco, isotônicos sucos naturais, são um exemplo de bebidas que possuem esses minerais.
Repor água no corpo
Segundo a nutricionista, para exercícios com duração de até uma hora realizados por pessoas saudáveis, apenas a água costuma ser suficiente. Já isotônicos são indicados em situações de maior perda de suor, pois ajudam a repor sódio e outros eletrólitos. Ainda assim, ela ressalta que essas bebidas não substituem a água e não devem ser consumidas sem necessidade.
Além da hidratação por meio de líquidos, a alimentação também pode contribuir. Frutas como melancia, melão, laranja, mexerica, morango e abacaxi, além de vegetais como pepino, tomate, alface, abobrinha e chuchu, possuem elevado teor de água. A água de coco também pode ser uma aliada durante esse período.
O que é a pausa para hidratação?
Para quem ainda tem dúvida, o personal João Matheus explica que a pausa para hidratação é um intervalo curto durante exercícios de intensidade moderada ou alta para permitir que o corpo desacelere e recupere parte dos líquidos perdidos.
João também alerta para o mito de que “suando” a pessoa está perdendo gordura. “O suor não representa perda de gordura. Ele é o mecanismo que o organismo utiliza para controlar a temperatura corporal. Durante atividades intensas, o corpo precisa dessa refrigeração para continuar funcionando adequadamente”, explica.
De acordo com o profissional, não existe um intervalo fixo para interromper o treino. A frequência depende da modalidade esportiva, da duração e da intensidade da atividade. “Em um treino de musculação com cerca de uma hora, por exemplo, é possível aproveitar os intervalos entre as séries para se hidratar tranquilamente. Já em atividades contínuas, como corrida ou ciclismo, é importante programar momentos específicos para reposição de líquidos”, orienta.
Horários para praticar atividades físicas
Durante a seca, o personal também recomenda atenção ao horário da prática esportiva. Segundo ele, treinar entre 11h e 15h exige cuidados extras. “Se não for possível evitar esse período, o ideal é diminuir a intensidade do treino, aumentar as pausas e redobrar a hidratação”, aconselha.
O professor lembra ainda que as pausas para hidratação não são uma novidade no esporte. Modalidades como basquete e vôlei já contam com interrupções durante as partidas, muitas vezes associadas a questões estratégicas e comerciais, mas que também acabam oferecendo aos atletas uma oportunidade importante para reposição de líquidos.
Para os especialistas, a principal recomendação é simples: manter a hidratação ao longo de todo o dia e não apenas durante o exercício. Carregar uma garrafa de água, fazer pausas durante o treino e adaptar a intensidade da atividade às condições climáticas são medidas que ajudam a prevenir a desidratação e tornam a prática de exercícios físicos mais segura durante o período de seca no Distrito Federal.
*Estagiária sob supervisão de Patrick Selvatti
Fonte Correio Braziliense
Foto: Ed Alves/CB/D.A Press








