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Empresa ligada a Wagner dividia sala e contatos com outros 19 CNPJs

Uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador e ex-líder do governo Lula, Jaques...

Uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador e ex-líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), compartilhava endereço, telefone e e-mail com outras 19 pessoas jurídicas, segundo relatório da Polícia Federal no âmbito das investigações sobre o Banco Master. Os documentos foram tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), na quinta-feira (30).

BN Representações Tecnológicas tem como única sócia Bonnie Toaldo Bonilha, mulher de Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário de Meio Ambiente da Bahia.

Fundada em 2019 sob o nome Vamos Florir Comércio de Flores, a empresa atuava originalmente na venda de plantas, ornamentação e organização de eventos. Em janeiro de 2026, mudou de razão social, passou a atuar no setor de tecnologia e transferiu sua sede de Salvador para o município de Igaporã, no interior baiano.

No novo endereço, a PF identificou outros 20 CNPJs registrados na mesma sala comercial. Desses, 19 utilizavam o mesmo telefone e o mesmo e-mail da BN Representações, que, segundo a investigação, não tinha histórico de funcionários formalmente registrados.Play Video

Dezessete das empresas instaladas no local compartilhavam ainda o mesmo contador, Kilson Moura Lomanto, que também figurava como responsável contábil da BN Financeira — outra empresa ligada a Bonnie e igualmente investigada no caso.

Rede de empresas

A BN Representações é uma das seis empresas analisadas pela PF por seus vínculos societários ou pessoais com familiares e pessoas próximas a Jaques Wagner.

Na representação enviada ao STF, a corporação afirma que supostas vantagens destinadas ao senador e a seu núcleo familiar teriam sido movimentadas por meio de uma rede de fundos, empresas e pessoas interpostas.

Os investigadores descrevem a estrutura como um “mosaico de pessoas físicas e jurídicas” que teria sido usado pelo grupo Master para lavagem de dinheiro e dissimulação de pagamentos. A análise abrange a possível aquisição de um apartamento de R$ 2,45 milhões para Wagner e os repasses feitos à BN Financeira.

Pagamentos à BN Financeira

A BN Financeira aparece diretamente nas cobranças feitas por Eduardo Sodré a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, e nos pagamentos sob investigação da PF.

Segundo a corporação, a empresa foi criada em 2021, com capital social de R$ 45 mil. A PF aponta, porém, que se tratava de uma empresa recém-constituída, com capacidade operacional aparentemente limitada e sem histórico que justificasse sua contratação por uma instituição do porte do Master.

A hipótese dos investigadores é que os contratos tenham sido elaborados para conferir aparência de legalidade a transferências que não corresponderiam a serviços efetivamente prestados.

Em outubro de 2025, a BN Financeira recebeu R$ 3,5 milhões da PKL One Participações, empresa ligada ao núcleo de Augusto Lima.

Fonte CNN Brasil
Foto:  Saulo Cruz/Agência Senado

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