O silêncio durante uma reunião é frequentemente interpretado como sinal de hesitação ou até mesmo despreparo, porém a inteligência emocional propõe uma inversão dessa lógica. Susan Cain, autora do livro livro O Poder dos Quietos, argumenta que a resposta imediata pode prejudicar a qualidade das decisões.
Quando um profissional sente a necessidade de preencher cada segundo de uma reunião, aumenta o risco de falas superficiais. Nesse sentido, o silêncio estratégico atua como uma ferramenta de pressão e reflexão.
Uma pausa permite que informações adicionais surjam de forma espontânea. Pessoas que não toleram a ausência de som acabam fornecendo detalhes extras, justificativas não solicitadas ou até mesmo revisando a própria oferta apenas para quebrar o gelo.
A crítica à extroversão compulsória
O mundo corporativo foi moldado sob a crença de que a iniciativa e a competência estão ligadas à rapidez das respostas e a tendência de centralizar as discussões em reuniões .
Segundo Cain, essa mentalidade ignora o chamado “processamento profundo”, que é a capacidade de analisar informações de forma minuciosa antes de verbalizar uma conclusão.
Dessa forma, o silêncio em uma mesa de negociação não significa falta de proatividade, mas um sinal de concentração e reflexão para uma solução mais elaborada.
A cultura que valoriza a extroversão compulsória, ao premiar quem domina o tempo de fala, não dá espaço para as análises mais complexas. O desafio atual das lideranças é transformar o desconforto da pausa em um ambiente seguro para que o pensamento crítico se desenvolva.
Dominar a pausa
Essa capacidade de sustentar uma pausa, reconhecer o desconforto e escolher a melhor forma de responder não depende apenas de temperamento. Ela pode ser desenvolvida com repertório, treino e autoconhecimento — três elementos centrais para profissionais que precisam tomar decisões sob pressão, negociar melhor e se comunicar com mais clareza.
Para quem deseja aprofundar esse tipo de competência, o curso gratuito Inteligência Emocional do Na Prática, propõe técnicas para lidar com emoções, fortalecer a autogestão, desenvolver empatia, ler melhor o ambiente e agir de forma produtiva em situações de alta pressão no trabalho. A formação é online, gratuita e tem 6 horas de conteúdo.
Por Revista Plano B
Fonte Exame
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