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2 de abril: data chama atenção para desafios do autismo no Brasil

Celebrado em 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo alerta...

Celebrado em 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo alerta para a necessidade de ampliar o diagnóstico precoce, combater o preconceito e garantir inclusão efetiva de pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Instituída pela Organização das Nações Unidas, a data mobiliza campanhas em todo o mundo e reforça a importância de políticas públicas voltadas à população autista. 

Globalmente, o autismo é uma condição com impacto significativo na saúde pública. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Instituição científica que estudo o espectro, 1 a cada 36 pessoas está dentro do espectro autista, embora o número possa ser maior devido à subnotificação e às diferenças de diagnóstico entre países. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o fato de que pessoas autistas ainda enfrentam estigmatização, discriminação e barreiras no acesso a serviços, especialmente em países de baixa e média renda, o que fomenta a importância de campanhas de conscientização e políticas inclusivas. 

A Organização Mundial da Saúde também estabelece a campanha “Abril Azul”, que busca ampliar o acesso à informação e reduzir estigmas ainda associados ao autismo, condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento.

No Brasil, o 2 de abril está oficialmente incorporado no calendário como o Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo desde 2018. A data tem como foco principal a disseminação de conhecimento e o incentivo ao diagnóstico precoce,  considerado essencial para o desenvolvimento e a qualidade de vida das pessoas no espectro e das famílias atipicas. 

O espectro

O TEA é caracterizado por dificuldades na comunicação e interação social, podendo envolver outras questões como comportamentos repetitivos, interesses restritos, problemas em lidar com estímulos sensoriais excessivos (som alto, cheiro forte, multidões), dificuldade de aprendizagem e adoção de rotinas muito específicas.

“O autismo hoje é compreendido como espectro de manifestação fenotípica bastante heterogênea, ou seja, existem várias manifestações diferentes do autismo. E essas manifestações ocorrem também com sinais mais ou menos evidentes em algumas pessoas”, afirma o neuropsicólogo Mayck Hartwig.

O TEA pode se manifestar em três níveis, que são definidos pelo grau de suporte que a pessoa necessita, ou seja, a quantidade de ajuda que ela precisa para desempenhar tarefas básicas do dia a dia:  nível 1 (suporte leve), nível 2 (suporte moderado) e nível 3 (suporte elevado).

Coautora do livro Mentes Únicas e especialista em Distúrbios do Desenvolvimento, Luciana Brites afirma que o 2 de abril é importante para informar a população sobre o autismo.

“É um transtorno que tem impacto muito grande porque afeta principalmente a cognição social, os pilares da linguagem. Esse espectro tem diversas nuances que compõem o quadro. E é um quadro heterogêneo. De um lado você tem autistas com altas habilidades e outros com deficiência intelectual. Alguns com hiperatividade e outros mais calmos”, afirma Luciana.

Segundo ela, é importante ter um diagnóstico precoce, já que os primeiros sinais do TEA podem aparecer nos primeiros anos de vida.

“Quando conseguimos fazer a detecção antes dos três anos, a gente consegue, muitas vezes, mudar a realidade dessa criança, desse adolescente, desse adulto. As políticas públicas de educação e saúde precisam ser muito bem sustentadas para que se possa consiga avançar no desenvolvimento dessas crianças, que vão virar adolescentes e adultos”.

Nos últimos anos, o avanço do debate público tem impulsionado políticas voltadas à inclusão, como o acesso à educação, à saúde e à assistência social.

Entre os principais pontos discutidos estão:

  • inclusão escolar efetiva
  • acesso a terapias especializadas
  • apoio às famílias
  • combate ao capacitismo

Apesar dos avanços, ainda há desafios estruturais, especialmente na oferta de diagnóstico e atendimento pelo sistema público. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou que 2,4 milhões de brasileiros declararam ter diagnóstico de autismo, o equivalente a cerca de 1,2% da população. 

Além disso, o Ministério da Saúde registra alta demanda por atendimento: somente em 2021, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 9,6 milhões de atendimentos ambulatoriais relacionados ao autismo, sendo 4,1 milhões voltados a crianças de até 9 anos. 

Os números evidenciam não apenas a presença significativa do transtorno na população, mas também a necessidade de ampliar a rede de atendimento, diagnóstico e cuidado, especialmente na primeira infância, fase crucial para o desenvolvimento humano.

Mesmo com maior visibilidade, o autismo ainda é cercado por desinformação. A campanha de conscientização busca justamente ampliar o entendimento da sociedade e garantir que pessoas autistas sejam reconhecidas em sua individualidade, e não apenas pelo diagnóstico.

Orgulho Autista

Sancionada nesta semana, uma nova lei federal criou o Dia Nacional do Orgulho Autista, que será celebrado em 18 de junho. A medida foi oficializada após sanção presidencial e passa a integrar o calendário oficial brasileiro.

A nova data não substitui o 2 de abril, mas atua de forma complementar. Enquanto o Dia da Conscientização tem foco na informação, no diagnóstico e na mobilização social, o Dia do Orgulho Autista propõe valorizar a neurodiversidade, fortalecer a identidade das pessoas autistas e combater o estigma. 

Com isso, o país passa a ter, oficialmente, duas datas com enfoques distintos: uma voltada à conscientização e outra à valorização da identidade autista, alinhando-se a movimentos internacionais.

Por Revista Plano B
Fonte Correio Braziliense
Foto: Reprodução/Freepik

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