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Por que líderes experientes tomam decisões ruins?

Por que líderes experientes, com acesso aos melhores dados do mercado, ainda tomam...

Por que líderes experientes, com acesso aos melhores dados do mercado, ainda tomam decisões que levam a prejuízos? A resposta não está na falta de planilhas, mas na forma como o cérebro processa a realidade.

É isso o que afirma o vencedor do Nobel, Daniel Kahneman,  em seu livro Rápido e devagar: duas formas de pensar. De acordo com ele, a mente é operada por dois agentes distintos: o Sistema 1 (rápido e intuitivo) e o Sistema 2 (lento e analítico). 

Para executivos, compreender essa diferença pode ser o que separa decisões estratégicas consistentes de erros guiados por “atalhos” mentais.
Rápido ou devagar? A dinâmica entre os Sistemas 1 e 2
O Sistema 1(rápido) descrito pelo autor, funciona de forma automática. Ele é responsável por detectar intenções, como por exemplo, perceber o “clima” do ambiente e responder a essa sensação com um gatilho defensivo. Ele é emocional, associativo e rápido.

Já o Sistema 2 (analítico) é mais consciente. Geralmente é acionado quando é necessário tomar decisões calculadas, como por exemplo, analisar o retorno de um investimento. 

No entanto, o sistema analítico consome muita energia e por isso acaba sendo mais “preguiçoso” em relação ao primeiro. Sendo assim, ele aceita as conclusões apressadas tomadas pelo Sistema 1.

Três armadilhas do Sistema 1 
A eficiência do sistema rápido em oferecer respostas rápidas e automáticas, em ambiente de alta gestão, pode se transformar em armadilhas: 

A substituição de perguntas 
Quando enfrentamos uma pergunta difícil, nosso Sistema 1 a substitui por uma mais fácil. Por exemplo: 

A pergunta deve ser: “Esta é a melhor solução tecnológica para os próximos 10 anos?” 
O que o sistema 1 interpreta: “Eu gosto da interface e do vendedor?”
Se não houver uma análise consciente, o líder aprova o investimento baseado em simpatia, acreditando que usou critérios técnicos.

  1. O efeito Halo 
    O efeito Halo é a confirmação de valor por características. Ou seja, se um novo funcionário é extremamente carismático e confiante, logo o cérebro associa que ele também é organizado e tecnicamente impecável. É assim que surgem promoções baseadas em impressões superficiais, ignorando a falta de competências reais para o cargo.
  2. O perigo do WYSIATI
    Em seu livro Daniel Kahneman utiliza a frase “O que você vê é tudo o que há” para explicar por que líderes costumam ter excesso de confiança em previsões. O cérebro constrói a uma narrativa otimista baseada nas informações disponíveis, ignorando o que ele não sabe. Isso gera planos de negócios baseados em cenários incompletos, que parecem lógicos.

O antídoto: Sistema 2
Para evitar que o Sistema 1 dite o curso da ação sozinho, a organização precisa criar mecanismos que forcem o Sistema 2 a trabalhar.

Independência de pareceres: Em reuniões de decisão, peça que todos escrevam seus votos ou opiniões antes de qualquer discussão. Isso evita que o primeiro a falar influencie totalmente o pensamento de todos os outros. 
Exercício do pré-mortem: Antes de bater o martelo, reúna o time e diga: “Imaginem que estamos daqui a um ano e este projeto foi um desastre total. Escrevam agora a história desse fracasso”. Isso desarma o otimismo cego e revela riscos ocultos. 
Checklists e fórmulas: Sempre que possível, substitua o “julgamento humano” por critérios objetivos e algoritmos simples. O cérebro é inconsistente; uma lista de verificação não é.

Como decidir com clareza sob pressão
Se até líderes experientes caem nas armadilhas invisíveis da própria mente, a pergunta que fica é: o que separa decisões medianas de escolhas verdadeiramente estratégicas? A resposta não está apenas em mais dados, mas em aprender a pensar melhor sob pressão, reconhecer vieses e estruturar decisões com clareza

Por Revista Plano B
Fonte Exame
Foto: Exame

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