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O maior desfile de alta-costura do Brasil acontece na avenida

Se na França a tradição da alta-costura é celebrada nos salões da Chambre...

Se na França a tradição da alta-costura é celebrada nos salões da Chambre Syndicale de la Haute Couture, no Brasil ela ganha outra dimensão: atravessa a avenida sob aplausos de milhares de pessoas. É no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, e na Marquês de Sapucaí, que a moda atinge seu ápice dramático, cultural e identitário.

Durante o Carnaval, cada escola de samba funciona como uma verdadeira maison brasileira. Há direção criativa, pesquisa minuciosa de enredo, estudo de referências históricas, desenvolvimento de técnicas e uma complexa rede de profissionais — de costureiras e bordadeiras a escultores, aderecistas e engenheiros cenográficos. Tudo pensado nos mínimos detalhes para que o espetáculo aconteça em poucos, mas inesquecíveis, minutos.

Agremiações como a Estação Primeira de Mangueira, a Portela e a Imperatriz Leopoldinense são exemplos da grandiosidade dessa indústria criativa. Suas fantasias e alegorias misturam plumas exuberantes, cristais reluzentes, estruturas metálicas, tecidos tecnológicos e soluções inovadoras que rivalizam com qualquer passarela internacional.

Mas o diferencial está na essência: aqui, a alta-costura é coletiva. Não nasce para um ateliê exclusivo, mas para a comunidade. É feita de identidade, de memória, de resistência e de celebração. É arte que dança, canta e emociona.

Os registros mais marcantes de 2026 deixam isso evidente. Cada detalhe bordado, cada cabeça de destaque, cada carro alegórico monumental reafirma uma verdade incontestável: talvez não exista expressão mais genuína da alta-costura brasileira do que aquela que desfila ao som do samba.

E quando a sirene toca, não é apenas o início de um desfile — é o Brasil mostrando ao mundo sua criatividade sem limites. De arrepiar.

Por Marissol Fontana – Colunista Social do Portal Plano B

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